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O CONTADOR
Desde: 08/06/2001      Publicadas: 35      Atualização: 26/06/2001

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 Contabilidade

  19/06/2001
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CONTABILIDADE: ARTE, TÉCNICA OU CIÊNCIA?

CONTABILIDADE: ARTE, TÉCNICA OU CIÊNCIA?
Prof. Luiz Carlos dos Santos

Estaremos todos de acordo que a Contabilidade é uma ciência ou entenderemos, como querem alguns, tratar-se simplesmente de prática de escriturar livros e produzir relatórios e demonstrativos? Ciência, técnica ou arte são definições que usualmente lhe são atribuídas. Neste artigo, a nossa preocupação é tentar clarificar cada um dos conceitos, com o propósito defensável e responsável, de que a Contabilidade é ciência.
Em todos os campos do saber humano distinguem-se três aspectos, sendo um subsidiário dos dois primeiros: 1°) pelo raciocínio, procura-se adentrar a razão das coisas e investigar a natureza dos fatos; 2°) pela prática, estudam-se os meios para tornar úteis à humanidade os resultados das observações. O primeiro aspecto corresponde à ciência e o segundo relaciona à arte. O subsidiário, a técnica, corresponde à forma de expressão do conhecimento humano.

ARTE


Analisando a literatura sobre o assunto chegamos à conclusão que a arte consiste em uma série de preceitos ou de regras a seguir e que a ciência é conhecimento de certos fenômenos ou de certas relações observadas ou reveladas.
Carlos Henrique e outros definem arte como “ ... a manifestação do belo, produto de intensas emoções estéticas do artista, ligado a condições diversas de época, de povo, de cultura”. Para os autores, as intensas emoções do artista caracteriza-se pelos aspectos da criatividade e imprevisibilidade, e a exteriorização destes sentimentos de forma concreta começa a consolidar aquilo que se denomina arte.
Salientamos, entretanto, a distinção necessária que entendemos entre ciência e arte, que não tem nada de comum com a distinção que se faz, com ou sem razão, entre teoria e prática. Há teorias de Artes, como de Ciências e é com relação às primeiras que se pode somente somente dizer que, às vezes, estão em desacordo com a prática. A arte dita regras, que, embora justas, podem, em certos casos particulares, afastar-se da prática. O mesmo não acontece, todavia, com a ciência, que nada ordena, nada aconselha e nem prescreve, limita-se apenas a observar e explicar. Segundo Chaves Coquelin, a ciência empresta à arte as suas luzes, retifica os seus processos, esclarece e dirige a sua marcha; sem o apoio da ciência, a arte não pode marchar senão tateando, tropeçando a cada passo. Por outro lado, ainda extraindo dos escritos do autro, é a arte que valoriza as verdades que a ciência descobre e que sem a sua ajuda permaneceria estéreis.


TÉCNICA


Dos estudos feitos podemos definir a técnica como um complexo de procedimentos e de processos, ordenados e concretos aplicáveis na realização de objetos específicos. Ela está relacionada ao aspecto produtivo da atividade humana, tanto no âmbito material, quanto no mental.
A técnica caracteriza-se por procedimentos encadeados de forma ordenada, ainda que somente no âmbito intelectual, ou seja, independentemente de aplicação de prática. A técnica não é aplicável apenas para fins materiais, mas também para fins abstratos, como por exemplo, a ioga e a hipnose, não obstante, tem seu alcance limitado à obtenção de sua finalidade. Não apresenta, portanto, conhecimento das causas nem contempla a generosidade necessária para abranger toda a área do objeto de estudo.
Importante ressaltarmos que a técnica não é auto-renovável, torna-se bsoleta quando houver alteração no objetivo inicialmente proposto. Também não é preditiva, característica precípua no estudo de Contabilidade. Acreditamos por essas razões que não é recomendável classificar Contabilidade como técnica, ainda que possamos destacar algumas técnicas contábeis, como a Auditoria, tendo em vista que estas foram desenvolvidas a partir da existência de um cabedal maior intitulado ciência contábil.


CIÊNCIA

Aurélio conceitua ciência como o conjunto organizado de conhecimentos sobre determinado objeto, em especial os obtidos mediante a observação, dos fatos e um método próprio. A passagem de um conhecimento empírico para científico, depende de uma organização especial, dentro do campo da lógica. Racionar cientificamente não é o mesmo que racionar empiricamente. Conhecimento científico é aquele que se transpões ao fato e busca conhecer suas causas, diferenciando-se, desta forma, da superficialidade do conhecimento vulgar. O conhecimento científico busca a essencialidade das coisas, abandona a contemplação exclusivamente sensitiva dos fatos para obter a relação e justificativa da causa e do efeito relacionados a estes fatos. A passagem do conhecimento contábil empírico para o campo da ciência opera-se dentro das convenções exigidas pela filosofia cientifica, para que um conjunto do saber se classifique como ciência. Não é a vontade nem a opinião pessoal pessoal de um pensador ou de um conjunto deles que atribui o caráter científico a um conhecimento, mas a classificação deste dentro das características estabelecidas pelo saber humano, no campo da epistemologia ou Filosofia das Ciências.
As ciências classificadas por Lakatos estão assim arroladas: Em primeiro lugar as ciências são divididas em dois grandes grupos – as ciências formais e as ciências factuais. As primeiras, dentro das quais são enquadradas a lógica e a matemática, têm como objetivo o estudo das idéias. O outro grupo, o das ciências factuais, tem por objetivo o estudo dos fatos. Estas utilizam o método experimental para verificar postulados e suas hipóteses.
As ciências factuais, por sua vez, são subdivididas em dois blocos: a) as ciências naturais, que se dedicam ao estudo da natureza, da vida, das suas leis e das diversas formas que afetam os seres viventes; b) as ciências que têm como objetivo o homem enquanto ser inteligente, livre e social, não somente considerado em si mesmo, mas também em seus atos, que são a manifestação de sua vida moral e social.
O conhecimento científico, no nosso entendimento, possui certas condições que o caracterizam por essência, tais como o caráter de certeza, da generalidade e do método racional, enquanto sua utilização está relacionada exclusivamente a sua aplicabilidade pelo homem, de acordo com as intenções e vontade deste, e não em função de uma condição intriseca à própria ciência.

Prof. Luiz Carlos dos Santos



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